111- ÊXODO
Eliane Gonçalves
Estrangeiros em sua própria terra
Peregrinos da sociedade humana
Na passagem do Mar Vermelho
Da dor, abandono e violência
Longa é a travessia do deserto
Na busca de amor e afeto
Como a grande nuvem protetora
Dos dias quentes de imensa solidão
Filhos de Deus, sempre serão
Mesmo quando são esquecidos
Alimentam-se do maná da caridade
Dos que ainda acreditam no amor
Esperam a chegada do messias
Que não será rei ou presidente
Nem mesmo um grande monarca
Ou príncipe dos contos de fada
Ele chegará de forma simples
Trazendo a justiça e a verdade
Pra mostrar ao mundo e a humanidade
Que o homem precisa viver com dignidade
112 - POPULIS BRASILIS
Parsa Soares
Até a nossa descoberta foi por acaso
E como tal temos sido tratados até agora.
Engodo do salário mínimo vergonhoso,
Escárneo ao aposentado, que logo morra!
Desgoverno social e expansão do crime
Fruto do descaso dos eleitos do planalto,
Mensalões e corporativismo, um acinte,
E ninguém é punido por tão grave ato.
Julgamentos dos indiciados, uma vergonha,
Tudo pré-determinado, e ninguém exita.
Absolvem os bandidos sem nenhuma cerimônia
E atrás do painel comem uma “bella” pizza.
E assim vamos sendo levados pelos políticos
E suas ganâncias de reeleição sempre
insaciáveis
O pior acontece na atual situação de país
caótico
Não temos nenhum candidato razoável elegível
Pobres dos nossos filhos e filhos deles!
O que herdarão para seus nublados futuros?
A educação no fundo do poço se sente na
pele,
Pois o povo educado contesta, melhor ser
burro!
113- STARTUP!
Mirando a panacéia para a miséria alheia
Drogaria testada com amparo legal
Toda a cobiça na centelha humana
Retrato da teima & outras substâncias
Segregados para fatores atemporais
A mesma libido para articular alimentos
Congelando o cérebro, visão deturpada,
Progressão em falência múltipla de órgãos
Paralisia de tons na semântica, pudores,
Quente contra frio na camada de ozônio
Subalternos respondem todos os processos,
Fantasia para janotas & apocalípticos,
Isenção em falsa polítika & assemelhados,
E quando alguém bate na janela, o pavor cresce,
Fenecem quaisquer denúncias com tantas sobras,
Mais retóricas suplantando a mais valia,
Incautos derrapam por glórias duvidosas
Tudo está à venda, colabore dando seu preço,
Fotossíntese mais carregada de novos carbonos,
Eles sempre nos fazem pensar que estamos errados,
Mirando o caráter para a memória esguelha,
Estão acabando com o inconformismo geral,
Tamanha falta de vergonha na alma humana...
Enganos & desenganos que contemplam mais lápides!

114- PÁTRIA AMADA
BRASIL!
Cássia Vicente
Deitado
eternamente em berço esplendido...
quem escreveu
delirou ou previu para um futuro tão distante
que de tão
distante talvez nem cheguemos a ver
Ao som do mar e a
luz do Céu profundo...
ao som do mar...os
pobres mortais dos sertões ou nem tanto sertão
que nem imaginam o
som da água caindo num copo d'agua
na horta seca que
só mesmo cactus pra sobreviver
ou na lavoura que
cai a água mas desmorona barro com cifrão
nem com as
lágrimas conseguindo desfazer o pranto em luz
pros que se acham
no céu profundo no centro do Brasil
Fulguras ó Brasil
florão da América...
será outro
delírio...florão da Adereça...de que adianta...
ou coitado
tinha tanta esperança que traduziu em versos
para quem sabe
quando (nem Deus) os versos se tornassem
concretos
...Iluminando o sol do novo mundo!
Jataí.Go
31.01.06

115- OUSAREMOS
SER
Fernanda Pietra
Cansamos de ser
apenas palavras
Frases repetidas
Ações comedidas
E partimos para
ser
Ser aquilo que
sempre almejamos
Não aquele sonho
que fica apenas na imaginação.
É chegada a hora
de ousar
Ousar a ser,
realmente quem somos
Ousar gritar que
esse mundo
É maior que
guerras, preconceitos fronteiras
“Raças”,
convicções políticas
Não seremos
felizes com pessoas morrendo por um “deus”
Que mora em países
do outro lado
Que busca a
perfeição num paraíso
Transformando a
vida no verdadeiro inferno
Ousaremos a ser
maior que qualquer país, povo, nação
Religião,
política, time de futebol
Ousaremos ser
mensageiros da essência humana
Que é solidária
Não é solitária
Sendo humanitária
por instinto
Ousaremos a gritar
pelos quadrantes:
“ Não tenho
vergonha de ser feliz “
Pois apenas quem
consegue a felicidade íntima
Consegue enxergar
o próximo como seu irmão
Que caiam as
fronteiras
Unam-se as
bandeiras
Marchem os
exércitos da paz
Comandem, os
comandantes do amor
Ousaremos abrir
nossos braços como fez o Mestre
Até no momento da
morte
Pois com eles
cruzados
Somos fagulhas de
ignorância no universo
Ousaremos correr
pelos campos
Sorrir
Amar sonhar
Seremos rebelde
na medida do amor
E causar uma
grande explosão
De compreensão,
Carinho
E respeito por
todos os seres do planeta

116-
ESTELA
Angela Alcione
Estela...a caminhar descalça pela tela,no horizonte que
nos toca;
e ela
passa:desliza doce,leve,arrastando sua rede
a
tentar cobrir com ela a terra inteira...
...a
tentar resguardar o sono dos mortais
que
nem sequer sonham com ela.
Estela...a tentar sustar o vôo das libélulas errantes,
das
libélulas que rompem a tela tênue...etérea,
a
cobrir sonhos tão distantes.
E
rompem-se as malhas...e a claridade penetra,
prateando a madrugada que as serenas serenatas
enchem das cores de todos os tons
de
uma vida que adormece.
E
Estela tece...a costurar está:
tenta guardar a claridade só pra ela...
...que ela não vê...mas sente.
No
toque da luz fria que arrepia seus cabelos.
E
ela, doce , cega , a costurar num trabalhar sem fim,
como
sem fim é o horizonte junto dela
117 - CADA UM NO MEU LUGAR
Tereza da Praia
"Cada um por si e Deus por todos nós"
Eis o dito popular,
Cada qual no seu canto,
Cada macaco no seu galho
Desatando seus próprios nós.
Entregues a sua própria sorte,
Como se não fizéssemos parte
Da mesma teia que tece a vida
Que, por ironia,também tece a morte.
Cada um por si,
como se não fossemos feitos
da mesma terra, do mesmo pó
Com virtudes e defeitos.
Cada um por todos,
E todos por cada um,
porque o Deus de cada um por si
habita dentro de nós.
Levantemos a voz,
Estendamos a mão.
Somos mais guerreiros da paz
que samaritanos do amor.
Vemos os homens ao longo do caminho
Abandonamo-os ao seus destino
Um egoísmo mesquinho.
Temos coisas maiores a fazer
que socorrer o desconhecido,
imitando a generosidade do samaritano.
Estamos com pressa
não podemos perder a luta pela paz.
Que efeito esta luta traz?
Esta luta insana, esta disputa
que nos impede de estender a mão
Abrir o coração
Para o homem estendido no chão?
Como é vão nosso discurso,
Pela nossa ação, cai no vazio
parecemos o amigo urso,
jogamos tudo a culpa no governo
Nos perdemos neste ermo,
de não aceitar a responsabilidade
De fazermos uma paz de verdade,
com uma sociedade igualitária
justa, fraterna e mais solidária.
Nos achamos muito bons,
porque cantamos a paz.

118
- UM MUNDO MELHOR PARA SE VIVER
Kamilla
Quero um mundo
cheio de amor,
onde
possamos viver
sem
medos,
sem
rancores,
sem
ódio.
Um
mundo onde só haja
amor, felicidade
compreensão, lealdade...
Um
mundo cheio de bondade...
Tenho esperança
de
que esse mundo logo virá...
E
que uma fada no céu
aparecerá voando,
e com sua varinha de condão
tocará no coração
de
todos os homens,
e
assim, muito amor irá colocar...
119 - MAR LODOSO
Nelim Monti
Nesse mar lodoso
Cheio de limbo da corrupção
Navega a multidão
São brasileiros novos e velhos
Curvos e mancos
Trabalhadores seculares
Feitos de sonhos e silêncio
Cheia de limbo,as águas viscosas
Brilham no dorso
Sofrido e resignado da multidão
Sobem e descem as águas
Escuras e fétidas
Águas desumanas
Despreendidas de peso e tempo.
Abandonando a todos
Na divina pobreza de madrugadas
Seculares,de crianças
e povo com fome e sem nome.
120- BRASIL...PÁTRIA MINHA
Cidinha Caetano
Nossa individualidade foi ferida
Nossa vida encoberta
Nosso medo agravado
Nossa atividade interrompida.
Ambição desmedida
De políticos infectados
Tantos recursos engenhosos
Tanto povo envolvido.
Pátria minha tão amada
tão ferida tão vazia
És ainda portadora
De tão grande fantasia.
Ainda fica a expectativa
Desse povo tão sofrido
De quem sabe em tempo próximo
Seus desvios corrigidos.

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