134- A MAIS LONGA NOITE DO BRASIL
by Penhah Castro
Sem qualquer ponte sobre o abismo
em que fomos lançados
Uma noite interminável caiu sobre o
meu país...
Quando enganados por promessas vãs,
Confiamos no inconfiável!
Acreditamos no irremediável!
Colocamos nossa fé na idoneidade
de senhores corrompidos pela
maldade...
Embarcamos em promessas de mudanças
Em um mundo a nós mostrado
que certamente seria mudado para um
pior bem pior.....
Não mais se enxergava a alegria...
A esperança estava acuada...
Não mais se via o sorriso confiante
das crianças,
Das pobres uma vida esperando pela
caridade,
Das ricas a insegurança vibrando
nesta nova realidade...
Desceu sobre o Brasil uma noite sem
estrelas...
Tudo era encoberto por tristezas
de ver caindo tantos cavaleiros do
apocalipse
Deixando um país acéfalo onde a
corrupção subiu ao trono
Encobrindo a sordidez de uma
ignorância nunca no tempo assumida....
Onde está a lua cheia, brilhante e
cintilante,
para trazer-nos a boa nova????
Da libertação dos grilhões da
insegurança!
Onde estão as estrelas que guiaram
os Reis Magos
para guiar em direção da
honestidade
nossos representantes,
Para um Brasil que precisa
renascer?
Onde estão os sonhos de uma
liberdade verdadeira
sem camuflações, sem teatrinho, sem
engodos?
É preciso das cinzas resgatar
O prazer de sempre ver tremular, na
liberdade, no amor,
na segurança... A bandeira do nosso país...
O verde da esperança de ser feliz!
O amarelo do ouro merecido!
O azul que nos causa uma ternura
infinita...
O branco que é a PAZ TOTAL!
A confiança de sair á rua livres de
ataques de quadrilhas organizadas...
A vitória do bem sobre o mal!
Sem ameaças á nossa dignidade!
A confiança de colher o que
arduamente plantamos...
Tornando esta subversão de valores
inócua...
Uma hierarquia de valores
respeitada...
Precisamos usar nosso direito-dever
de votar
Com consciência, com vontade, com
determinação...
Para nossa casa arrumar e,
voltarmos a cantar:
O sol da nossa liberdade em raios
de intensa luz...
Brilhou no céu da nossa pátria
quando
Acordamos desta noite terrível e,
novamente nos seduz...

135...DAS TREVAS ERGUE-SE A VOZ DO POETA
Carmen Ortiz Cristal
No
deserto das palavras
Segue o cortejo dos esquecidos:
Os
que não têm direito a educação
O desenvolver da palavra
dissiminar idéias...
Configura-se o abandono
Aos que falta saúde, dignidade...
Indiferença!...
Bens primários sepultados
Um
teto que proteja das intempéries
Falta o pão, a fome é companheira,
Não há carpideira a lágrima é verdadeira
Não há sol, a terra é árida,
Os
ventos sopram contrários
Favorável, a justiça caminha trôpega
As
leis caducam na esquina da morte
O projétil, corpo que cai!
Mais um órfão sob o viaduto,
Miséria nas vias de fato,
Das riquezas nada se sabe
Ressoa a gargalhada dominante,
Burilando o ego da inconstância
Soberanos os chacais rondam a procissão
O
banquete está sendo servido
Nas travessas das CPIs, com estilo
Abate-se a decência
Rejubila-se o desmando!...
Em
taças bem servidas
Suor e sangue,
agoniza a esperança de um povo
O funeral em verde e amarelo
segue seu curso
Sobre a “Pátria amada, mãe gentil...”
Desce o braço da impunidade,
é
tempo de dor...
No silêncio das palavras
Levanta-se guerreiro, valente escudeiro!...
Guia a procissão!...
Através dos tempos sua arma a pena
Em
meio às trevas a voz que grita por justiça
Faz-se a luz do entendimento!...
A
hora é agora,
há
que levantar do berço esplendido
A
rima chora, o verso lamenta...
O
poeta diz: Basta, denuncie-se...
Acorda meu País,
vamos a luta se preciso for...
Por ti!... Por nós teus filhos,
Meu Brasil...
Abrem-se as comportas da alma
Fala a poesia!... “Cada um por si...”
Aqui!...Justifica-se a união...
Santo André
SP-BR
