Sandra Lúcia Ceccon Perazzo
(Sperazzo)
Esse disfarce de rebeldia bem
intencionada
De nossos poemas mansos
Crescendo entre a inocência e a
indignação
Traz dúvidas para o meu coração
Cantamos a paz, o bem, a fé e a
esperança
Falamos até de Deus
Mas calamos perante a responsabilidade
individual
no encontro do social
Achamos culpados, crucifixamos
governantes,
policiais, assassinos, bandidos
Com veemência levantamos a bandeira
Bradamos ao mundo a nossa dor
Pena que não busquemos antes a paz
interior
Cada um de nós é autor do poema chamado
vida
Precisamos assinar nossas obras
assim como Deus assinou
O que estamos construindo ao nosso
redor?
Como atuamos no palco da vida?
Como assistimos nossas obras?
Como interagimos uns com os outros?
Quantos morrem de fome, de frio embaixo
da nossa porta
e queremos falar de paz, de
solidariedade, de fraternidade
Não damos conta que a
desorganização exterior é conseqüência
da desordem interior
Pobres de nós poetas, trovadores
Sonhadores do amor sem dor
Cegamos na nossa boa intenção
Sem ter ainda a paz interior
Quantos já matamos com nossa
indiferença
Quantas vezes passamos ao largo do
nosso irmão cheio de carência
Quantos assassinamos com nossa omissão
Como podemos falar de compreensão
Negamos amor, perdão, tiramos ilusão
Sagazes,perspicazes,intelectualizados
matamos a paz, traímos, somos infiéis
com quem nos ama
Com um olhar certeiro atiramos na alma
de quem tanto amamos, nossos filhos,
que assistem a guerra no lar, sem nada
poderem falar
E quantas vezes morremos...
Vamos antes, pensar em nós
Assassinos e assassinados diários,
domésticos
transferindo responsabilidades sem
paciência
E como ter paz sem paciência
se a paciência é a ciência da paz?
Vamos com calma entender que há
necessidade
dos escândalos, para que hajam mudanças
E elas, só acontecem na construção
do pequeno para o grande
Por isso amigos, poetas, trovadores
queridos irmãos, vamos arquitetar a paz
cada um de nós com sua missão
Vamos dar as mãos nessa construção
saindo da omissão daquilo que temos em
mãos.

Reny Carvalho
Um toque na alma
Um toque de calma
Um toque no olhar
Um toque de esperança no ar...
Esperança que me cerca, que me faz
viver
Tempo longo, tempo vil...
Um olhar no céu a procurar
Onde está a nossa paz?
Em lugares antes nunca vistos
Em destinos cruzados, em fase de
transição
Paz que eu insisto em conquistar
Amor que venero a esperar
Mundo cruel que fizestes
Homens cruéis que fizeram do mundo
Minha casa, sua casa, nossa casa
Acolheu com amor e agora é só dor
Dá-nos a esperança de sentir
O amor que vem da terra
A luz que invade o ser
Que avança em vão, mas que fica
A esperar pela realização
O desejo se fez presente
Caminhando em nuvens espessas
Não há mais solidão...
Sinto um toque de esperança
No meu, no seu, em nossos corações
