141-Compasso de espera
Sé©rgio Souza
  
Canta cotovia perdida nos ipês da manhã
Canta sua tristeza terçã
Canta cotovia iludida no afã da solidão
Canta pássaro minha ilusão, meu descaminho
Chorem cinamomos, derrissem folhas secas
Vente o vento das manhãs descoloridas
Por dentre as Árvores quase acordadas
Caminhe os caminhantes do alvorecer trabalhador
Tudo está no seu devido lugar..., nenhum!
A mesa posta, o café sabor saudade
Um pão amanhecido e manteiga de ontem
Esperando por sua visita amiga
Amiga solidão.
 
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142-Fragmentos de Solidão
 
Solidão é estar só
É morrer aos poucos
E não ter mãe...
É sofrer com Jó
Não é sermos loucos
A fugir de alguém.
Solidão não é mensagem
Que se perde no vazio
É um quarto fechado
Onde morre a coragem...
É cansaço de sentir frio
O coração desejado.
Solidão é sempre o fim
De um ilusório caminho
De um Amor já perdido
Solidão é esse jardim
Onde floresce sózinho
Todo o ser desiludido.
Solidão é vaguear...
Num turbilhão de lamentos
É cheirar uma rosa...
É sonhar...sonhar...
E impor aos sentimentos
Uma morte caridosa.
F.Corte Real
Barronhos-Portugal
 
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143-Meio-dia.Só.
 
Meio-dia
Choro.
Sem motivo algum
Nem por isso ou aquilo
Choro porque choro
Algo me sufoca o peito
E dói-me a alma.
Meio -dia
Choro.
O pranto sobe-me garganta acima
Uma dor que não sei de onde vem
Uma gastura
Um destempero
Simplesmente choro.
Meio -dia
Choro
Mesmo havendo comida no fogo
Mesmo os filhos com boa saúde
Mesmo tendo um emprego
Um sonho perdido
Choro, choro, choro...
Meio-dia
Choro.
No céu o sol brilha voraz
Mas não ilumina meus pensamentos
No céu o sol impõe seu diadema dourado
Mas não reina em minha dor fulgaz
Dia claro, meio-dia,
Mundo iluminado
Sonhos esquecidos...
Meio-dia
Choro inteiro.
 
Lu Oliveira
 
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144-Solidão - Melhor Assim
                Fátima Cardoso
 
Solidão vê se te afastas de mim
Nessa hora tardia
Quando a noite se arrasta
Me entrego e tomas conta de mim.
De ruídos só o relógio trabalha.
Minha mente vazia,
Meu corpo cansado
Não permite que meus olhos abertos
Reconheça mais nada.
 Sei que tudo existe.
Mas que fiz eu
 Nesse ensaio de vida
Que só me lembra
Agonia, cansaço.
Lá fora muitas vidas caminham
Aqui dentro todos dormem
 Melhor assim
Só o relógio trabalha
Sei que também posso existir.
Mas onde vou buscar coragem ?
Quem ouvirá meus queixumes,
Meus sonhos,
Quem lerá meus escritos ?
Sozinha quem sabe...
Melhor assim.
 
Recife-PE
 
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146-SOLIDÃO
Conceição Di Castro
 
É noite... não estás aqui comigo.
A solidão devora  esferas...
de amor que trago...são trigos
num campo aberto que quiseras
 
somente para ti.Mas as esperas
não trazem o alento ao coração
choroso de saudade, de amor
puro e cristalino. ´É dor...
 
Nada esconde este sentimento
súbito , cheio de mágoa e tristeza.
Não existe água que possa jorrar
da fonte p'ra aliviar a ferida.
 
Fostes embora, não deixando rastros
p'ra sentir esperança de tua volta...
O céu se abriu e fostes p'ra outros astros,
onde encontraste o que procuravas.
 
Fiquei só...só com minha solidão
gritante de pura dor condoída,
severa diante da implacável vida...
Vida eterna de amor verdadeiro.
 
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147-Na Solidão
 
Na Solidão
 
Quando a solidão  invade
e vem com ela a melancolia,
a dor de uma saudade,
o desespero de saber que seus sonhos
e ilusões do passado não tem mais chance
de um dia serem realizados...
Porque o tempo desses sonhos
já se passou e me vejo diante
de uma dura realidade
de um futuro mais que incerto
e nada receptivo na visão
de um presente tão vazio e hostil.
Me desespero,
já não sei o que fazer...
Precisa sair dessa prisão
para não enlouquecer
 
Rejane Pino
Miguel Pereira - RJ
28.04.2005
 
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148-TUA AUSÊNCIA
 
Flores secas no livro de poesias
onde belos poemas me escrevias.
Meus braços que ficaram sós
sem abraços, sem sorrisos.
 
Meus olhos que se perdem no infinito
tentam resgatar tua imagem.
Choro pelo que não aconteceu...
- em que momento a gente se perdeu? -
 
Triste fico a me perguntar:
- aonde o nosso riso se perdera? -
E ela queda silenciosa...
A lágrima contida... rola!
 
( Verluci Almeida 17-04-2006 )
 
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149-Solidão
 
Aperto no coração...
Saudade.
 
Tempo de amor
Vida cor de rosa
Sentimento recíproco.
 
Mistura de coração
sem pensar que separação
traria solidão...saudade.
 
O sonho acabou.
Que pena!
 
Castelos feitos
momentos vividos
ternura, respeito
entrega.
 
Sem explicação:
o fim.
 
A solidão devora
não dá chance
não vai embora.
 
De: Gildete Vieira.
19/07/2006. Natal, Brasil.

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150-FELINA
 
O que há entre ela e mim?
A busca incessante, a caça
Não saciar a "fome"
O prazer da procura
Da loucura
Do perigo iminente
Matar ou morrer
 
Felina, agressiva
Força na luta hostil
Na incerteza de vencer
Sabiamente recuar
Nunca fugir...
 
Altiva, feroz
Quando violentada, desafiada
Usa a malícia, a audácia
A perspicácia
Fere com suas garras cortantes
Matar ou morrer
 
Correr nos campos
Sentindo o cheiro da liberdade
Ritmo cadenciado
Com graça e beleza
Leveza de bailarina
Nobre rainha
 
Pantera misteriosa
Mansa menina
O suave toque do amor
Desarma a selvagem felina
 
Como mãe, doce ternura
Matrona imperiosa
Luta pra dar
Àqueles que não sabem lutar
 
Sensível fêmea-mulher
No aconchego do afago, do amasso...
Sonha com o mar, as estrelas, o luar
Doce menina
Sábia mulher.