204-SAUDADE BRANCA
Efigênia Coutinho
Lendo-te um coração que sofre separado
anda desvairado e triste, no exílio que vive
Oh! Saudade impetuosa que lhe consome.
e vai soluçando sua dor por todo Universo!
Oh! Saudade desse sentimento santo,
neste canto de quem Ama sendo Amada
Grita meu coração desperto dentro do peito
enche o firmamento com este meu pranto...
Oh! Saudade, minha Alma de Branco, vai,
ponha asas nestes versos na ponta duma
flecha....Tange estes céus celestes com tuas
melodias sonoras, murmurando tua prece...
Oh! Saudade, vai nas tintas dum Sol
nascente, flutuando pelas nuvens,
vai beijando os sonhos que alimento...
Deixando minha Branca Alma enternecida...
Petrópolis, 26 julho de 2006
in férias
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205-SAUDADE
Almir Fraga
Toda saudade por melhor que seja,
Nos acompanha onde quer que esteja,
Ferindo a fundo nosso coração.
Se ela for boa nos traz alegria,
Mas traz também consigo a nostalgia,
E nos magoa sem nos dar perdão.
Sinto saudade da minha adorada,
Daquela santa sempre venerada,
Que até a pouco ao meu lado estava.
Mas foi-se embora sem deixar vestígio,
Nem mesmo aquilo de que sempre exijo,
E que juntinho a mim sempre falava.
Sinto saudade dela, não iludo,
Digo mesmo capaz de fazer tudo,
Para que voltes pra junto de mim.
Mais a saudade me deixou tão frio,
Que o meu semblante se tornou sombrio,
Me transformando num homem ruim.
Quando ela passa às vezes pela rua,
Me diz sem pena, já não mais sou tua,
Me deixe em paz seguir o meu caminho...
E perco a voz, fico mudo num instante,
Sinto saudade deste teu semblante,
E sinto imensa falta de carinho.
Mas mesmo assim segue sem dar resposta
Sem ao menos dizer se ainda gosta,
Deste coitado que foi sempre teu.
Se porventura o teu padecimento,
Fizer voltar a mim teu pensamento,
Fique ciente que este já morreu.
Não pode suportar esta saudade,
Que simplesmente por tua vaidade,
Como herança você me legou.
Mas agora que este sono profundo,
Veio roubar-me de vez deste mundo,
E, finalmente, a saudade acabou...
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206-SOLIDÃO
As mãos brancas da solidão
pousam suavemente nos
móveis empoeirados e vazios.
A solidão escorre lenta e dolorida
por corredores frios.
Vem trazendo cheiro de
flores mortas.
Ressoa silenciosa e tange
o cordão tenso que
abala os sons.
Não existisse a solidão,
como seriam as noites
e as madrugadas frias?
Como seriam o silêncio
e a dor?
Se os ecos do meu coração
fossem ouvidos à distância,
a solidão não seria.
Solidão, amiga minha,
constante presença a
exigir constante dedicação.
Anjo da guarda, demônio,
vida.
Saramar Mendes
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207-Solidão
Depois de tantos anos,
meu olhar encontra o dele; o dele, o meu:
eu sabia que pra mim ele ainda era " Ele";
tentei sentir se pra " Ele" eu ainda era " Eu"...
Queria buscar certeza
a uma pergunta que vinha do passado,
mas que só a mim interrogava:
o que era " Ele" sem mim ao seu lado?
Meu olhar, desavisado, colou no dele,
esquecido de tudo que um dia viu.
Minha alegria suplantou toda a tristeza
e cutucou meu sorriso, que até sorriu...
Nada foi dito, nem por ele nem por mim.
O silêncio testemunhou só a Minha emoção:
e a minha saudade, tão grande, sim,
eu-- que pra " Ele" era só um " eu"--
guardei comigo no baú da Minha solidão
Regina Coeli Rebelo Rocha
Rio de Janeiro ( RJ)
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