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"Solidão" E-book oferecido aos autores por Paulo Nunes Junior
QUANDO A SOLIDÃO APRISIONA O POETA A RIMA SE FAZ ESPONTÂNEA... Paulo Nunes Junior * * * * * Da Solidão Da solidão muito pode dizer-se, mas pouco com
propriedade; propriedade quer dizer mesmo, senti-la propriamente.
Este sentimento não é certamente igual em cada um de nós. A obra literária é mesmo um exercício de solidão acompanhada. Acompanhada por outros livros que se lêem na aparente solidão absoluta. Nessa solidão a companhia está na imaginação dos criativos, e ela não pára: a construção de cenários, a caracterização de personagens, o ambiente exterior e interior, o movimento e a ação do(s) protagonista(s) e figurantes, a construção interior das emoções e a arquitetura de toda a estrutura. Voltando às poesias, nesta ciranda cada um fala de si. Todos os autores são diferentes, todos exprimem o seu imo; esse lugar que se encontra no âmago de cada um. Veja como cada um construiu o desenvolvimento do tema, no recurso ao verbo e ao modo. Se a pendência é para uma solidão que desespera, nem sempre se dá essa dimensão traumática a este sentimento. Às vezes, ela é vista como a expiação da dor insuportável recorrendo o paciente a outros prazeres de viver: a leitura, por exemplo, a audição de boa música, viajar, desenvolver hobbies. Eu creio que é mesmo a poesia a causa de não haver mais suicídios por causa da solidão. Quem a exterioriza pela escrita, está a exorcizá-la, e quem não escreve, lê certamente textos otimistas que lhe animam a vida. Poderá haver também quem não conheça bem o significado da palavra solidão, e a entenda como desânimo. Não são evidentemente a mesma coisa. O desânimo é momentâneo, a solidão é longa e pode levar à desistência da vida física, não sendo senão uma sucessão imensa e prolongada de desânimos que podem atingir um possível desfecho trágico. Sabermos animar a vida, também faz parte duma aprendizagem mais abrangente da nossa maneira de encarar esta passagem pelo planeta; não só de a encarar, como também saber ultrapassar as contrariedades e vicissitudes, que acontecem invariavelmente no trajeto a percorrer, e ainda saber ajudar os outros a dar a volta por cima no caso de experimentarem acidentes trágicos; esses que podem destruir vidas no desespero da solidão.
Daniel Cristal
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Publicado: 06.04.2006
Última Atualização:
02.11.2006