Luiz Carlos Moreira Cardoso, nascido em Salvador-Ba em
31 de julho de 1960.
Criado sob os auspícios da ditadura, lembro-me ainda
hoje da visita que fizemos a meu tio Hélio Carneiro,
funcionário do Banco do Brasil e professor da UFBA em
1964, no quartel 19-BC em Salvador, quando foi preso
pelo regime militar acusado de conspiração enquanto
dava aula na Universidade, criando em mim uma aversão
natural ao militarismo e ao poder constituído.
Em 1969, fui testemunha ocular da guerra entre
estudantes e militares. Estava no centro da cidade
quando corremos, eu e minha mãe, e nos escondemos num
prédio com outras pessoas. Aquelas bombas ainda
ressoam em minha memória, achava que o prédio
desabaria em cima de nós.
Nesse mesmo ano, ao final do curso primário, mudei a
letra de uma música que era sucesso na época - I don`t
want stay here, I wanna to go back to Bahia,
aproveitando a melodia e fazendo minha primeira música
em homenagem à minha escola e aos meus professores.
Cantei tocando meu violão na festa de final de ano.
Aos 12 anos, participei da elaboração do primeiro
festival de música do Colégio Antônio Vieira, onde
fazia o curso ginasial, participando com duas músicas
de minha autoria.
Apesar disso, essencialmente tímido, costumava
destruir meus escritos sem os mostrar a ninguém, uma
pena!
Fiz o serviço militar obrigatório e, apesar de fazer
parte de uma tropa de elite (rss) e ter conduta
exemplar com direito a título de honra ao mérito (que
mérito?!) na saída, considerei um grande feito, ainda
mais em tempos de ditadura, ter sido dispensado do
serviço militar pelo médico psiquiatra, após 8 meses
de caserna com o laudo: "Inadaptação situcional aguda
para o serviço militar podendo exercer atividades
"civis". Saí como se jamais tivesse entrado. Marcha
soldado, cabeça de papel...(em branco).
Tive o privilégio de assistir ao vivo o show de
Gilberto Gil e Bob Marley, no estádio da Fonte Nova em
Salvador, maravilha!
Em dezembro de 1981, ingressei no Banco do Brasil só
saindo em maio de 1997 na demissão voluntária.
Três filhos maravilhosos: Louise, 20 anos; Carlos, 17
anos e Bianca, 13 anos.
Vivo em Londres desde agosto de 1998. Passei um
período negro, sem amigos, sem família, muita saudade
dos filhos e voltei a escrever, dessa vez enviando por
e-mail meus versos aos muitos e adoráveis amigos que
fiz através da net como forma de retribuir o carinho
que me dispensavam.
Foi assim que uma grande amiga, a Beth Mana-ETB, que
conheci numa sala de espiritismo do Uol, sugeriu que
publicasse meus textos no Recanto das Letras, a quem
sou eternamente grato pela dica, pois lái encontrei o
meu oásis, fiz novos amigos além de abrir espaço para 
outros sites, como o Poetas del Mundo por exemplo, além do
Território Livre e agora o Mensageiros do Amor.
Participei também da Segunda Edição da Antologia Escritores
Brasileiros da Benedictis Editores.
 

Poesias de Cacaubahia:

- LÍRIO
- SÂNDALO
- PÉGASO
- PASTO
- LAMPIÃO

 

 

LÍRIO

 

E o lírio se despe
Por onde andará minha fada tão linda?
Peço à minha Mãe por sua proteção
Para tornar a ver seu encanto e sua magia

Despido de toda a sua glória
Que importa como se veste o Rei Salomão?
Pois que a tua amada está em seu leito de morte
Aflito, o lírio chora de comoção

Alcmene, minha mãe me abandonou
Juno deu-me o seio à pedido de Minerva
Suguei-o tão forte que a Via Láctea formou
Outros lírios gerou, o leite derramado sobre a terra

Os alquimistas me utilizaram
Para criar um perfume mágico
As noivas em seus buquês me colocaram
Simbolizando a pureza, para adentrar nesse átrio

Resta-me agora Anamaria
Olívia! Minha fada, a morte levou
Oh Mãe, por qual dessas estradas
Irei carregar a minha dor?

Não me chames mais Eugênio ou Hércules
Me perdoem Veríssimo e a Mitologia
Só me adornarei para a minha amada
E à minha Mãe, rendo-vos graças nesse dia!


    ***********************************

   Narra a mitologia, que a conselho de Minerva, Juno deu seu seio a Hércules, que havia sido abandonado no campo por Alcmene, sua mãe. O jovem herói teria sugado o seio com tanta força, que o leite esguichou em grande quantidade. As gotas que se espalharam no céu formaram a Via Láctea e as que caíram na terra transformaram-se em lírios.
 

cacaubahia

 

 

 

 

Teu suor para mim é sândalo
Da mais pura essência
Odor que inebria meu ser
Avivando toda minha querença

 

Sorrateiro vou em busca do teu amor
Qual boêmio em noites de luar
Teus gemidos de gozo e prazer
São para mim a mais bela canção que há

 

Tua seiva embriaga o meu ser
Teu amor me faz delirar
Nosso leito se faz umedecer
Como a relva na noite a orvalhar

 

Vem amor e me pega de jeito
Em teus braços quero sonhar
Acordar para um novo dia
Com teu sândalo a me perfumar

 

cacaubahia

 

 

 

 Pégaso

Oh Pégaso, meu corcel alado
Deixa-me em teu dorso montar
Leva-me a Hipócrene
Fonte de inspiração do meu poetar

Nascido do sangue de Medusa
Decapitada pela espada de Perseu
Leva-me ao monte Hélicon
Morada das musas, filhas de Zeus

Em teu dorso Terseu salvou Andrômeda
Belerefonte a Quimera combateu
És a personificação do trovão e do relâmpago
Que Netuno, zangado com Minerva fez nascer

Me dá a conhecer o Parnaso
Onde Apolo e as musas costumam bailar
Quero beber da fonte de Calíope
Musa da eloquência e da poesia épica

Com Calíope, musa adorada
A Ilíada, a Odisséia e a Eneida eu quero ler
E também conhecer seu filho Linos
Para com ele a música aprender

Mas de suas filhas tenho medo
São elas as sereias que atraem os marinheiros
E nos rochedos, os fazem prisioneiros
Para então os devorarem por inteiro

Vem Pégaso, deixa-me montá-lo
Com tuas asas eu quero voar
E juntos percorreremos toda Gaia
Para minha poesia de amor e paz semear!


cacaubahia

 

PASTO


O chão está seco, escasso
Mas um dia há de chover
E o verde formará o pasto
Forrageiras a crescer

Vamos alimentar o gado
E amamentar todo bezerro
Alegria no trabalho e muito amor
Alimenta o mundo inteiro

Quero ver todo bezerro ter
Proteção e muito carinho
Deixá-lo naturalmente crescer
Mugindo amor em seu caminho

Quero que seja educado
E saiba ler e escrever
Prá lhe dar oportunidade
De optar quem quer ser

E que tenha consciência
Que há dois pastos em dois planos
Um pasto alimenta a carne
O outro alimenta o homem!

cacaubahia

Lampião

Virgulino Ferreira da Silva
Meu querido Lampião
Renasce ó tu das cinzas
E põe em ordem esse sertão

No Brasil continuam as contendas
O governo contra a população
São 67 anos de sua morte
E continua árido o teu chão

O solo ainda é o mesmo
A paisagem é de desolação
Acabaram com as onças pintadas
E as emas não tem mais não

Os coronéis, senhores feudais
Agora são políticos da corrupção
Continuam a roubar do povo
Vida decente e educação

Os cangaceiros já não existem
Agora tem menino de rua ou ladrão
Não chegam a viver até os vinte
Morrem drogados, sem pai ou mãe e sem razão

O Padre Cícero que conhecestes
Hoje é um santo em devoção
Do sofrido povo nordestino
Por quem deste a vida pela libertação

E agora as Marias Bonitas
São prostitutas de plantão
Começam nessa vida ainda meninas
A transar por um pedaço de pão

Ressuscita ó Virgulino
A valentia da população
Prá por ordem no Brasil
A partir dessa eleição!


cacaubahia

 

 

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Publicado: 06.04.2006  Última atualização:  07.08.2006

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