Poesias de Marcoantonio:

 

- Não, não é assim!

- O amor puro!

- Por ti respondo

- Não chore por mim

- Vou navegar

 

Não, não é assim!

Marcoantonio.

 

Não existe a solidão,

onde o amor plantou a semente...

Não existe o  não,

existe a gente!

Existe a vida,

o sonho existe,

em ti consiste

o meu querer,

o teu fazer,

o meu saber,

o teu transplantar,

o nosso vivificar...

Em ti, apenas, em ti,

a minha única essência de amar!

Por ti, foi esta espera,

não importa em que era

estamos, ou vamos estar...

Sempre seremos nós,

poetas apaixonados,

tresloucados,

insanos à procura do amor...

Vivendo no verso,

por sermos além do próprio Universo!

Importa, no entanto, dizer

que por ti estarei,

eternamente,

a esperar...

Se as rochas esperam,

se ficam ali, paradas, inertes,

sem nada  ser mudado...

Porque eu não posso,

também, em rocha me tornar?

Facilita o passar desta vida...

Facilita o novo reencontrar...

Quando meu corpo baixar

até onde as rochas vão estar...

Eu dormirei por mais mil anos,

um sonho trazendo no rosto,

a boca à espera do beijo,

o único com que te quero acordar!

O nosso eterno sentimento,

nossa eterna querência,

nossa eterna demência,

minha eterna vontade de amar...!

(às 9:15 do dia 11/05/06)

 

Perdão Divino.

Marcoantonio.

 

É sempre tempo de perdoar...

O Perdão é parte do Amor...

Seja ele de qualquer cor,

no vermelho da paixão,

no azul do inconsciente,

no verde da confiança,

o Perdão há-de imperar...

É perdoável quem erra,

mesmo que não peça perdão...

Não se pode de antemão

negar-se este sentimento...

Que se evapore com o vento

o amargor do coração...

Aquele que sabe amar,

o perdão também dará...

Enquanto o que fica no chão,

que pede, que estende a mão,

espera por ser levantado...

Basta um simples perdão,

para que esse coração,

que foi tão humilhado,

seja restabelecido,

pelo amor de novo ungido,

e pelo Perdão coroado...

Aquele que sabe amar,

jamais negará o perdão...

pois Deus não perdoará,

quem negar o seu irmão...

No momento final da sentença,

em que couber a pura decência,

Deus de novo dirá:

"Tu precisas de perdão?

Vá teu irmão perdoar"...

"Depois, voltes aqui 

com o coração rarefeito,

para procurares direito

aquilo que queres achar...

Enquanto ficares prevenido,

contra teu irmão vencido,

jamais terás a resposta,

que em teu julgamento final,

esperas de Mim receber:

Para perdoar é preciso

não apenas uma vez,

nem por cem multiplicar

aquilo que tu achares

que vai  tua dor aliviar...

Para te livrares dela,

jogues numa panela

muita droga de amor...

Depois, revira direito,

não te importes com o defeito

que apresentar o teu irmão...

Sirva-lhe com bom apetite

este caldeirão de fé,

transmita-lhe compaixão,

lava toda a poeira,

que em forma de sujeira 

magoa o seu coração...

Quando estiveres assim,

aproxima-te de Mim,

que terás o Meu Perdão! 

(às 21:24 hs do dia 31/05/2006    

 

Marcoantonio

 

O amor puro,

que vem da alma,

pode até chorar...

No entanto,

adeus nunca dirá...

Não pode partir,

porque pensa conseguir

um ninho para estar...

Beijos provocar

na imensidão

de um coração,

que louco quer amar...

O amor puro,

que vem da alma,

toda a mágoa apaga...

Não indaga

nada além do querer bem...

O amor puro

espera a hora,

em que o abraço

há-de o aconchegar...

Sabe fazer acontecer...

Sonha com a estrela

que o há-de aquecer...

Com a noite

que o irá acolher...

Com a vida,

que o irá reconhecer...

Não importará

se vier do norte

ou do sul...

Se for matizado

de cinza ou azul...

Se a sorte

vier do leste

ou do oeste...

Importa-lhe

 somente

que será reconhecido,

amado,

enaltecido...

Se for envolto

em dia calmo,

ou mar revolto,

não importa...

Espera sempre

que se lhe abra a porta,

que se feche a comporta,

e que a vida jorre

em dias de felicidade...

Nem lhe importa a idade...

Se vier da tenra ou amadurecida,

será por toda a vida

e beberá da água da maturidade...

Não se importa com a aparência...

Sempre terá indulgência,

em relação ao pecado...

Pois quem não o cometeu,

pelo amor de ter amado? 

O amor puro

é a consciência

dessa espera,

dessa primavera,

que acontece uma vez na vida...

E por saber que é assim,

não se deixa sofrer enfim,

mesmo quando a vida lhe diz "não"...

Pobre coração,

aquele que não soube amar,

que espera que o amor seja flor,

desprovida de espinho...

Pois espera o carinho

de uma sombra,

que jamais o irá aquecer...

O amor puro traz em si

a coroa de espinho

e por todo o caminho,

onde pisa, deixará

pegadas de sangue...

Pois é assim,

que se realiza a oblação...

E só nesta estrada,

assim pontilhada,

poderá acontecer o perdão...

O amor puro

não ignora,

não devora,

sabe amar...

E por saber amar,

é-lhe extremamaente confiável

saber dar o perdão...

Dessa forma,

é identificável

o amor luxúria

e o amor puro...

Aquele que se apega ao rancor,

certamente,

esqueceu-se do que é o amor...

O que ama na pureza da chama

sabe incandescer

a alma e o corpo...

E, por saber assim amar,

receberá por prêmio

a felicidade

de ter podido esperar...

acontecer em sua vida

a mulher querida,

a única que o saberá identificar...

A única que poderá lhe banhar

as feridas de outrora,

transformando em alegria

toda a vida, que foi de agonia...

Este é o amor puro,

por quem estou, ainda, a esperar...

(às 10:32hs do dia 16/05/2006)

 

Marcoantonio

 

 

Se pretendes a ela perguntar,

como se sente, o que tem a esconder,

a mim pergunte, terei prazer em informar

que dela posso cuidar, com meu bem-querer...

 

Posso cuidar dos sonhos que sonhou...

Se pesadelos tem, ou medos tem talvez;

da própria vida que sempre levou...

é vida honrada, que não leva à insensatez...

 

Respondo por seus atos pessoais:

dores já não sente, cessaram, enfim, seus ais...

Não precisa esconder nada de ninguém...

 

Como vive, nem como se sustenta...

Sobrevive com decência, haveres tem

e, certamente, com o próprio corpo aguenta...

 

 

Marcoantonio.

 

Não chore por mim,

pela lágrima rolada,

quando me viu sangrando em tua frente...

Naquele instante somente

o seu amor importava...

Não chore novamente,

porque meu coração

não aguenta duas vezes

esta mesma emoção...

Não chore pela minha covardia,

por ela não só matei uma vida,

mas duas vidas ficaram vazias...

Pontilhei com meu sangue seu caminho,

por isso, como esquecer, o seu carinho?

Impossível esquecer aquela mágoa,

aquela dor, com que me olhava,

no último instante,

a agonia de saber que eu partia...

Tentava segurar-me um tempo mais,

mas o meu tempo passou em suas mãos,

você sentiu meu corpo esfriar,

meu pulso parar,

grito desesperado de imensa solidão...

Mas não chore por mim...

Não importa aquela dor que nós sentimos,

logo estava comigo e nós dormimos

tanto tempo, sem querermos acordar...

Nesta estrada, estivemos afastados,

cada qual seguiu para o seu lado...

e construiu o que pensava não ruir...

Que doce ilusão que nós sentimos,

pensar que um dia desistimos

dá até vontade de chorar...

Não, nós prometemos que de novo

esse encontro se daria...

prometemos que nos versos,

em nossa poesia,

os nossos corações se encontrariam...

Aqui estamos de mãos dadas, nesse instante,

falando de um passado que marcou

para sempre o coração apaixonado

desse guerreiro, que antes a encantou...

Agora, a poetisa me encanta...

Povoa os meus sonhos, a quero santa,

para purgar os pecados que eu fiz:

e o pior de todos eles, estou certo,

foi o de hesitar, quando por perto,

de atender um pedido de seu coração... 

Não tive coragem, eu confesso

e isso me matou e eu lhe peço

não me culpe por essa hesitação...

era quase um filho esse guerreiro

que pedia,  antes que matasse a nossa vida,

o deixasse com a cabeça estendida...

Não pude fazê-lo, coragem me faltou...

E este despropósito me causou

a perda da mulher, dos filhos meus...

Um império caiu, meu sonho ruiu

arrastei você à destruição...

Me perdôe, amor, esta fraqueza,

é com tristeza imensa n'alma

que eu lhe peço,

me perdôe por essa covardia...

Eu não pude fazer o que pedia

e deixei uma Nação assim vazia...

Caiu o trono, caiu  a ilusão,

meu peito trespassado,

virou herói o vilão...

Minha mulher se matou,

sua honra não se maculou,

nem sangue escorreu de sua boca...

Imperatriz dos meus sonhos,

no trono a encontraram...

Dela falaram por todo o curso da história...

Essa mulher não se entregou...

Assim, é a honra dos heróis...

Se se mata a vida,

não se mata a história...

O que é grande permanece na memória,

o que é vilão na lama ficará...

Nós estamos vivos, nos achamos,

de rosto e forma nós mudamos,

mas nosso coração é tomado da mesma emoção:

quando nos encontramos, nos amamos,

juramos tantas juras novamente,

novas lágrimas, nova forma de paixão...

Mas eu, seu poeta, sempre consigo vou estar...

Você, minha poetisa, a única que eu posso amar!  

 

 

(às 21:24 hs do dia 31/05/2006    

 

 

Marcoantonio.

 

Vou navegar sereno,

adentrar por estas águas...

mesmo que, náufrago do amor,

morra depois em seus escombros...

Em meus ombros,

poderás repousar a noite inteira,

acendendo a fogueira,

com que querias te aquecer...

Penetrarei na gruta de teu corpo,

como viajante eterno,

que explora um templo adormecido...

Buscarei resquícios de teu sonhar

e minha embarcação

deixarei ancorada

na praia de teu coração...

Sob o luar de teus olhos,

contemplarei o Universo

e comporei meu verso,

apenas, para te homenagear...

De manhã bem cedo,

antes da última estrela se pôr,

contigo farei amor

e depois partirei,

 em busca de uma flor,

trazendo-a na boca,

para te alegrar...

E, quando acordares,

perguntarei:

"queres que eu me vá"

e responderás que não...

Pode parecer utopia,

 um sonho da minha poesia...

mas ficarei, Sereia,

para contigo dividir a Ceia...

(às 08:57 do dia 29/12/05)

 

 

 

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Publicado: 06.04.2006  Última atualização:  04.06.2006

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