Poesias de Priscila de Loureiro Coelho:

- A Porta
- Hora dos amantes
- Impulso
- Gostei
- Noite silenciosa

 

 

A Porta

 

Tantas existem... Nem sei

Qual delas que me atrai

São brechas, fendas veladas

 Que transpô-las, não ousei

Uma entra, outra sai

Tantas estão emperradas...

 

Abertura, recurso, acesso

Um mundo de opção!

A porta é um eterno segredo

Um fracasso, um sucesso

Verdadeira indecisão

Entrada franca do medo...

 

Tantas existem... notáveis

Que diferem em forma e cor

Mistérios invioláveis

Recesso sempre velado

Que antes de se transpor

Jamais se vê o outro lado...

 

Pórtico... Passagem secular

Esconderijo do desconhecido

Incomunicável prisão!

São tantas pra se optar

Tantos os rumos perdidos

Que nos causa aflição

 

Tantas existem.. Nem sei

Qual delas que me atrai

Vou tentando enlouquecida

Buscar verdade onde entrei

Para não chegar vencida

Naquela que eu não ousei...

 

 

Priscila de Loureiro Coelho

 

 

Hora dos amantes

 

Em meio aos sonhos, o desejo

Busca a realização

Na ânsia de se esgotar...

Bocas se perdem no beijo

No fogo em que arde a paixão

No gosto suave de amar

 

Aos poucos vem a loucura

À procura dos sentidos

Dominando a ansiedade

Numa explosão de ternura

Ambos se sentem perdidos

Tocando a eternidade.

 

Os corpos se movimentam

Como louca sintonia

Feito uma dança imortal

Os corações se alimentam

Do impulso da energia

Que é própria e natural

 

Assim atravessam a madrugada

Entregues ao louco prazer

Como a se embebedar

Duas almas de mãos dadas

Dois corações a bater

Dois corpos a se completar

 

Eliminam fronteiras e espaços

Celebram a união

Do que era individualidade

O mundo se torna um abraço

Que provoca a explosão

Vibrando sensualidade

 

Entregam-se inebriados

Ao mundo das sensações

Isentos de culpa ou pudor

Amantes cumpliciados

Ardendo em suas paixões

No louco jogo do amor...

 

Priscila de Loureiro Coelho

 

 

 

Impulso

 

 

Irresistível teu olhar

Que brilha luz sedução

Atraindo-me sem pudor

Teu vulto vem me rondar

Nas horas de solidão

Quando sufoco de dor.

 

Priscila de Loureiro Coelho

 

 

 

Gostei

 

Nos seus braços

fez-se o laço

que apertei

 

 

Priscila de Loureiro Coelho

 

 

 

 

Noite silenciosa

 

 

Um pouco de nostalgia, talvez. O ambiente está impregnado de suave melodia. A música me leva a passear pelo tempo, como se perambulasse entre cenas do passado; cenas extremamente belas, repletas de amorosidade.

Ah! Saudades...Muita saudade. O encanto da noite desvenda a sutileza que o dia acoberta, expõe parcelas do imponderável, provocando sentimentos sigilosos, tímidos, porém presentes.

Saudade dos anjos que fizeram parte de minha vida!

Pessoas especiais, tão queridas! Hoje já não se encontram comigo. A amplidão do universo é delas o abrigo que, pressinto, as envolve com ternura e afeição.

        Deixo minha alma solta, à vontade, deslizando por entre os vãos da eternidade, brincando em outra dimensão. Perco a noção da realidade, o tempo tem agora um tom escuro, não reconheço o que é presente nem o que é futuro. Inexiste a idéia de proporção.

Sinto o toque mágico do amor que me envolve, recebo delicadamente estranha vibração que sei é emitida por estes seres etéreos que hoje habitam o firmamento!

O coração descansa desatento, deixa-se conduzir sem resistência pelo pensamento, que segue silencioso junto a minha alma, polvilhando entre as estrelas, sentimento.

Há um misterioso silencio me cercando agora... Como uma pausa instalada no Cosmos, absorvendo as lágrimas que de meus olhos se desprendem. Quase escuto este silencio intenso. Rouba de mim qualquer possibilidade de consenso, pois neste momento, entre um sorriso e um suspiro, escapa-me o lamento...

Cativa-me o pulsar da energia, movimento cíclico dotado de pretextos generosos, que atuam em minha identidade. Permito-me acompanhar o seu compasso e no espaço já não cabe nenhum constrangimento.

O teor misterioso que provoca deslocamento justifica toda especificidade. Minha vontade parece lentamente despertar. Reajo prontamente em sintonia com imagens que se dissipam, levando para longe cenas e vultos que ali estavam a me acompanhar.

O som de fim de noite invade a atmosfera. Os astros se recolhem mansamente, dando-me a impressão que pararam de brilhar. A aurora se aproxima, e como uma dama requintada, me convida a retornar.

Com o coração em paz, vou-me deitar.

Priscila de Loureiro Coelho

 
 

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Publicado: 06.04.2006  Última atualização:  17.06.2006

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