Tonho frança pseudônimo de José Antonio Muassab França, paulista de Guaratinguetá, nascido sobre o signo de Áries, profissionalizou-se participando de oficinas literárias, saraus, e eventos afins.

Participação em diversos concursos, destacando IV Festival Carioca de Poesia –Prêmio Lya Luft com o 3º lugar Nacional com o poema Morto, I Lugar com o Poema Calvário, Osasco/SP, 3º lugar Nacional 8º prêmio Missões RS, poema Morto, por duas vezes finalista no Mapa Cultural Paulista e diversas menções honrosas, destaque para a premiação do Rotary Clube de Guaratinguetá, onde recebeu em 2005 o troféu Intelectual do Ano- modalidade Poesia, dentre outros.

Tem dois Livros solos publicados, Entre Parênteses, e Sinos de Outono, é membro da U.B.E, e da A.P.P.E.R.J.

Tem sido crescente o interesse da mídia local pela sua obra, estando o poeta sempre em rádios, e emissoras de TV da região, divulgando a poesia, e também dando orientações a principiantes.

 

Poesias de Tonho França:

- Abajur.
- Paz.
- Descrença
- De alma limpa.
- Antiquário de mim...

 

Abajur.

 

 

Na sombra calada do abajur

Traços claros de um tempo

Que já não é mais.

Onde a música ouvia-se livre

A reluzir nas louças,

Nos vidros antigos da cristaleira.

O mesmo relógio que canta as horas

Inteiras, canta as meias-

Badalas parecem eternas,

Ba da la das

Ba da la das

O cachimbo e um vinho do porto

Protege-me da solidão das pessoas

Mas o mundo ainda parece tão perto

Ba da la das

Ba da la das

A vida foi-se nos olhos claros da madrugada,

Na sombra calada do abajur

Já não mais.

Jaz...

 

Tonho França.

 

Sexta-feira, 28 de julho de 2006 / 23:01:52

 

 

 

Paz.

 

 

Um lume de acácias, um gosto de cereja,

Um mar de ressaca, espumas e areias,

Um lume de anjos, um canto de sereias,

O som das cascatas, a calma das borboletas,

Um lume de vela, uma prece antiga

Soleiras vadias, multiplicando margaridas

Grades longes das janelas, livre sol se por,

Azul entre escarlates, noites nuas a se expor

Um lume de boa vontade, crenças, credos, cores-Colorido

Um apito na estação, um choro de recém-nascido

A vida fala a língua da alma, do espírito.

Um lume da cheia, a mostrar o caminho

A nós que seguimos e aos que estão a nos guiar que a

Paz transcende ausência de confrontos, guerras, é

Silêncio e som, orquestra onde instrumentos diversos

Afinam-se, não por escala de valor ou valia,

Mas pela melodia, sintonia, sinfonia, nada mais

Assim, merecemos a terra, assim ensinamos nossos filhos,

As cercas não nasceram nos quintais,

São seres humanos, Seres humanos, seres iguais

Eu apaziguo, tu apaziguas, ele apazigua, nós apaziguamos,

Seres humanos, seres humanos, seres humanos,

Sede em Paz.

 

Tonho França.

 

 

 

DESCRENÇA

 

 

No branco da hóstia santa,

no tinto do vinho amargo

Eu me confesso perdido.

Não me encontro nos confessionários

no ermo escuro fé

quase sempre tropeço.

Na prepotência do que não espero,

na onipotência do que não enxergo,

eu sempre me despeço.

Pela falta de verdades absolutas

sinto-me tonto entre o azul do errado

e a rigidez natural do certo.

Vejo-me em calmarias e tempestades

entre pradarias e desertos.

E percebo o demônio dentro do anjo

e o anjo que o demônio contém,

e as pessoas em filas, não vêem

Não mudam, e mudas, só dizem AMÉM.

 

TONHO FRANÇA.

 

 

De alma limpa.

 

Vou sair as ruas, dançando sombras,

Colhendo luas, pulando os muros,

Entregando as flores, rasgando os jornais

Vou sair descalço, e com alma limpa

Descer as ladeiras sem culpa alguma

Tocando bandolins de borboletas azuis,

Canções de falem de vida, na noite escura

Acordando o mundo numa só janela,

Vou, vou sair poeta, vou ser a rua,

Vou ser a sombra, que floresceu no muro,

Vou, vou entregar as luas, descendo as ladeiras,

Vou , vou nascer antes de chegar o dia,

Na alma encantada das borboletas azuis,

De alma limpa, e cara pintada de mim,

Entoando versos alados, acendendo o mundo,

Nos acordes mágicos dos bandolins.

 

Tonho França.

Antiquário de mim...

 

A tela de um antigo pendurar,

Observa minha rotina

Nos candelabros, marcas do tempo,

Castelos descansam na tapeçaria.

O som imutável das taboas

A perseguir meus passos,

Louçarias, entre artefatos baratos,

Os cristais estão intactos,

Os cristais cantam o passado,

No bolso dos casacos, no porta-chapéu,

Na canela maciça do bufê calado.

Os sonhos estão intactos,

No vazio do canapé de dois lugares,

No vazio de dois lugares,

No vazio de dois

No vazio

Dos ares.

 

Tonho França.

 

Voltar

 

 

Copyright © 2006, Mensageiros do Amor- Todos os direitos reservados.
Publicado: 06.04.2006  Última atualização:  09.08.2006

Webdesigner:  Sonia Orsiolli